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Eu precisava desabafar


Aquela frase "quem convive comigo sabe" não se encaixa por aqui; pois nem mesmo quem está do meu lado percebe o quanto estou aflita e confusa. E cada dia mais confusa. O pior é que no fundo eu sei a verdade, eu sei qual caminho seguir, mas eu não quero.

E não quero porque tenho medo, afinal é um caminho novo, uma vida nova. E já senti que toda a minha vida era uma farsa, um chamarisco de atenção superficial todo voltado para o meu próprio nariz. Mas passei desse estágio, e agora estou um pouco depressiva, achando tudo sem graça, e só não penso em desistir de tudo porque meus dois maiores sonhos estão se realizando... Vou ter aulas de violão e canto no conservatório, e farei psicologia ano que vem.

Sem falar que as meninas blogueiras estão comentando fielmente ao meu blog e estão me motivando muito para continuar escrevendo com o maior gás!

Mas é difícil lidar com um sentimento tão forte e intenso, que eu nem mesma sei qual é. Eu choro todos os dias e todas as noites, eu choro por confusão e choro só de pensar em chorar. E engraçado é que não é uma depressão de jovem revoltado com tudo, é algo bem mais complexo, é a incerteza de quem sou e do que gosto.

Eu sei que no final vou acabar ficando com um homem, vou me casar e ter filhos. Muitos foram os que me disseram "eu sabia que você não era lésbica!" quando eu tentei desabafar. A verdade é que ainda não cheguei à esta conclusão de forma concreta, e o melhor que posso fazer é me manter sozinha e reservada por um tempo.

Um tempo que preciso para mim mesma, para me encontrar em algum lugar por aí, esbarrando em algum rapaz legal e compreensivo e tendo um recomeço em minha vida. Eu quero lindos filhos e uma casa com um belo jardim de rosas amarelas para sempre me inspirar a escrever!

Fico feliz ao pensar assim, no futuro, é tudo o que quero, uma bela família e ser uma ótima mãe escritora. Mas me dói agora, porque eu vivo no agora, e me dói saber que tenho e tive que deixar pessoas que eu gosto e admiro tanto para ter uma vida nova. É sempre preciso perder algo para que se ganhe, é sempre uma troca e nada é de graça. Eu deveria ter me acostumado.

Mas esse sofrimento todo também é parte da consequência de minhas escolhas, desde minha adolescência. Eu vejo desta forma, não sei se é a melhor forma de se ver essa situação toda. Mas eu sei que passa, um dia vai passar, vou acordar feliz e não vou mais ter nojo de homens, não vou mais chorar de saudades de dormir de conchinha com a minha garotinha ou de cozinhar para ela.

Eu fui rude e grossa, idiota também, mas eu sou assim quando sinto que preciso me afastar de alguém. Eu sou grotesca e faço que me odeie para que eu não precise dar explicações e nem de uma despedida melodramática. Então, eu fui rude e poderia pedir desculpas, mas então o meu plano estaria falho.

É isto. Apenas um desabafo no meu blog pessoal.
Vou enfrentando esta nova fase da minha vida aos poucos, com a ajuda dos parentes, amigos e psicóloga. e muita, muita paciência comigo mesma para reviver momentos e sentimentos que já foram idênticos anos atrás, quando me descobri lésbica. É um recomeço, pois é uma redescoberta. E cá estou eu novamente, chorando confusa.